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"Tenho em mim todos os sonhos do mundo"

domingo, 10 de março de 2013

Fantasiando


















"... Eu creio que a senhora sonha talvez demais. Sonhará uns amores de romance, quase impossíveis? digo-lhe que faz mal, que é melhor, muito melhor contentar-se com a realidade; se ela não é brilhante como os sonhos, tem pelo menos a vantagem de existir."    
(Machado de Assis . A mão e a luva.)

Esse é o problema dos sonhadores desfazem da realidade e vestem fantasias . Criam toda uma quimera de situações, acontecimentos, falas, pessoas fictícias, e tudo o que julgar de bom grado para satisfazer a frustração daquilo que devia ser mas não é. Mas, de onde tirou-se a lógica de que tal coisa deve ser de tal maneira, porque se assim não for não está dando certo?  Uma mulher que não se casar até os 35 anos, então ela não é feliz, ou, uma pessoa que começa a estudar depois dos 40 não poderá obter sucesso na profissão, afinal, já esta velha demais. A vida é cheia de rótulos e senso comum e para um sonhador isso é o fim!  O seu espírito é inquieto, exigente, egoísta e ao mesmo tempo vitimizado, sim! É óbvio que existe uma ordem natural para as coisas fluírem e acontecerem no tempo certo, mesmo que sejam meros acasos, para os simpatizantes da teoria, porém, sempre querem o poder de interferir em tudo, de transpor os limites e moldar existência em seu proveito, até ai tudo bem nada de anormal, porém, os dissabores vão surgir na mesma velocidade em que os planos se burlam e fracassam. 

Talvez, ser amigo da realidade e contente por estar e ser quem se é independente de qualquer hipótese, seja sim, a melhor escolha , mas, por vezes, é tão monótono tudo isso, sem vida e expressão, afinal, já são acostumados á realidade conhecem todas as facetas e ações diante das situações corriqueiras, o extasiante mora no desconhecido no proibido, naquilo que queriam ser mas que não dá por um mundo de motivos. Sonhar é tão bom, melhor ainda quando sonha-se no impossível, quando quebram o cárcere das almas e a deixam descomedida para tudo. Sonhadores não possuem limites e nem margens de coerência, á qualquer momento podem se imaginar morando em um  castelo francês do séc XVII desfrutando de todo o luxo e futilidade da época, como também    acordar com uma veia meio artística e se transportarem para a Belle Époque, ou até mesmo ser um grande militante em uma guerra civil. A realidade não cintila á olhos vistos, porém, é palpável tem cheiros, cores próprias e na maior parte das vezes funciona, é tão funcional que chega a ser chata, igual a tudo, costumeira e cansativa, por isso, os sonhadores merecem perdão e o reconhecimento, até mesmo porque, tudo de bom que existe no mundo foi antes divagado existindo apenas no plano das idéias. 

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